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O Ashram e a Alimentação

Oi pessoal!

Um dos aprendizados que mais me marcaram durante o tempo que passei no Ashram foi sobre o nosso relacionamento com os alimentos. Não sabe do que estou falando? Clique aqui pra ver o post sobre o Yoga Ashram em que voluntariei aqui na Austrália!

Almoço

Almoço

Lá a alimentação era vegetariana e vegana. Grande parte dos alimentos vem da fazenda e horta orgânicas do próprio Ashram e também das fazendas vizinhas que trocam alimentos entre si pra que todos tenham uma boa variedade ❤

Não consegui filmar a fazenda mas tinha uma variedade grande de verduras, legumes, folhas, frutas e também tem criação de galinhas, para consumo de ovo somente, e colméias para a extração de mel. Clique aqui pra ver a página do Facebook da fazenda, tem muitas fotos bacanas 🙂

Os turnos de trabalho na cozinha são liderados por algum residente, que geralmente já foi chef algum dia, e os alimentos são sempre frescos e preparados com muito amor. Todos os dias a equipe que vai pra fazenda volta com alguma colheita que vai direto pra uma sala refrigerada separada em caixas etiquetadas com a data da colheita. As sobras das refeições (não dos pratos hein gente, das panelas haha) vão pra geladeira pra serem servidas novamente na próxima refeição. Tudo é bem aproveitado.

As refeições tem os horários certinhos pra serem servidas e esse hábito é maravilhoso! Na hora de se servir você entra na fila com seu prato em mãos e quem trabalhou na cozinha naquele turno vai te servir. Saladas, molhos e temperos ficam numa mesa pra que você mesmo se sirva. Esse sentimento de aceitar algo que alguém preparou pra você, e que até então você não fazia idéia do que iria comer, é tão diferente e tão forte que com certeza foi uma das coisas que mais me marcaram lá. Eu que tô acostumada com o dilema do que cozinhar ou que tipo de comida quero comer fora de casa senti um choque bem grande nos primeiros dias em que eu tinha que comer aquilo que me era oferecido e pronto, com algumas pequenas escolhas de molhos e temperos ou se queria deixar de comer alguma coisa, mas a opção principal era uma só.

Café da manhã

Café da manhã (Arroz apimentado com vegetais, iogurte natural e chá preto com leite)

No início eu adorei isso de não ter que pensar no que iria comer, aí comecei a ter vontades, sabe? aquele chocolatinho de sobremesa, aquele dia que você tá mais pra macarrão do que pra nachos e aí me incomodei um pouco com essa “falta de controle”. Foi depois de uns 4 dias lá que finalmente comecei a entender melhor aquele senso de comunidade que rolava lá dentro do Ashram e aí comecei a me dar conta da importância de cada coisinha. Foi aí que entendi que esse ‘aceitar’ o que te é dado é muito mais que gratidão pelas pessoas que prepararam aquele alimento, é uma gratidão muito maior que acho que nem consigo descrever. Você começa a prestar atenção no que está ingerindo e se sente grato por tudo! Por ter paladar e poder sentir o gosto de cada coisa, pelas plantas que produziram aqueles alimentos, pela terra, o sol, a água, pelas pessoas que plantaram, colheram, cozinharam, pela vida, pela existência, por tudo haha. Papo de hippie, eu sei, mas é esse o sentimento hahaha. Quando você começa a pensar nessas coisas teu relacionamento com a comida muda totalmente e pra sempre.

Hoje de volta a minha rotina normal eu como várias porcarias, mas sempre me sinto muito mal, fisicamente e psicologicamente, porque um sanduíche da lanchonete da esquina pode até ter alimentado meu corpo, mesmo que mal e porcamente, mas não alimenta a alma. Não existe uma conexão com a comida e aí fica aquele vazio que nada preenche, não importa quantas batatas fritas acompanharam o lanche ou quantos sorvetes de sobremesa, o vazio ainda tá lá. Eu achava que esse sentimento era coisa de gordo porque eu sempre tinha isso mas percebi que era porque eu só engolia a comida ao invés de realmente entender o que ela trazia pra mim.

Outra coisa que ouvi lá e trouxe pra minha vida é a quantidade. O tamanho do nosso estômago (ou pelo menos o tamanho que deveria ser) equivale a duas vezes nossas mãos em conchinha, sabe quando você vai beber água da torneira e junta as duas mão em conchinha, assim! duas vezes. Em uma refeição devemos colocar dentro dele dois quartos de sólidos, um quarto de líquidos e um quarto deve ficar vazio. A metáfora foi que o estômago precisa de espaço pra trabalhar assim como uma maquina de lavar roupa, achei ótimo esse exemplo! Outra coisa que essa mesma pessoa falou foi que é como se tivéssemos um fogo queimando lá dentro e que se a comida for leve, quente e magra a digestão é muito mais fácil e rápida. Por exemplo, sorvete que é pesado, gelado e gordo dificulta o trabalho do estômago. O hábito de tomar chá quente nas refeições melhorou muito meu problema de refluxo, por exemplo.

Nesse vídeo aí embaixo você pode ver ela falando sobre essas coisas com mais detalhes e com mais propriedade, mas o vídeo é todo em inglês por isso quis colocar pelo menos esses comentários pra quem não domina a língua. O vídeo também mostra um pouco do Ashram e da fazenda além das entrevistas então vale a pena assistir mesmo assim 🙂

Ele foi feito pela minha querida amiga Francesca Zampollo que é doutora em Food Design, ela tem um projeto chamado “In search of Meaningful Food” (olha o site dela aqui) em português seria algo como “Em busca de alimentos significativos”. Ela entrevista pessoas com o objetivo de descobrir a importância e o significado que a comida tem pra cada um, é um projeto lindo e eu dei a minha contribuição também! Veja a minha entrevista logo abaixo 😀

Vale a pena acompanhar ela no YouTube ou Instagram, ela e o marido estão viajando o mundo e no momento estão na Ásia, acho que na Coréia do Sul pra ser mais exata, e ela sempre mostra coisas muito interessantes dos lugares que visita. Ótimo pra quem ama viagens, culturas e comida 😛

Obrigada pela visita pessoal 😀

M.

 

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WWOOF, voluntariando em um Yoga Ashram

Oi pessoal,

Continuando com as minhas experiências de voluntariado aqui na Austrália, hoje vou falar sobre os nove dias que passei em um Ashram 🙂

Um ashram é basicamente uma comunidade onde o objetivo seria promover a evolução espiritual, a maioria deles são hindus e tem orientação de gurus. Nesse ashram que fiquei, apesar de ter vários costumes, símbolos e rituais religiosos, a atenção é voltada a yoga e meditação. A espiritualidade também é muito trabalhada por lá, mas seria como que consequência dos ensinamentos sobre a vida em comunidade e o nosso relacionamento com a natureza.

O Mangrove Yoga Ashram foi fundado em 1974 e desde então vem ensinando o Satyananda Yoga, que é um sistema desenvolvido por Swami Satyananda Saraswati, um mestre de yoga e guru. Ele veio da Índia para a Austrália a convite de uma das fundadoras do ashram e durante suas visitas guiava e ensinava os professores seu estilo de yoga, o que veio a fazer parte do nome do ashram em homenagem a ele. Conhecido como yoga “integral” o Satyananda engloba as maiores ramificações da yoga como o hatha, karma, bhakti, jnana e raja. O objetivo dessa yoga integral seria o desenvolvimento e equilíbrio de todos os aspectos de um ser – corpo, mente, emoções e espírito – levando o praticante a um estado harmonioso do ser.

Nesse vídeo falo mais sobre como era a estrutura do ashram, o trabalho que fiz por lá e como era a programação de um dia típico.

Essa foi a programação dos meus primeiros dias, toda semana essa planilha é atualizada e fica em um quadro na cozinha. O símbolo do Om significa folga, ausência ou quando a pessoa ainda não chegou/já foi embora.

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No vídeo eu mostrei trechos de dois mantras, o Jaya Radhe e o Tvameva (ou Twameva). Segue abaixo as fotos pra quem quiser ver os mantras com calma. Se quiser o áudio completo deixe um comentário e eu te envio 🙂

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Tradução do mantra Tvameva do sânscrito para o português:

Fonte: Centro Flor de Jasmim

Você é minha mãe e Você é meu pai
Você é meu parente e Você é meu amigo
Você é minha sabedoria e Você é minha riqueza
O Senhor é meu tudo em tudo, Oh Senhor dentre os Senhores

 

Nos próximos dias vou postar o diário que escrevi quando estive lá 🙂

Para receber meus posts diretamente no seu email coloque seu endereço aqui na caixa no lado direito e toda vez que eu postar algo novo você recebera na hora 😀

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Obrigada pela visita pessoal 😀

M.

WWOOF, Voluntariando em uma fazenda de flores PARTE 2

Oi pessoal!

Essa é a parte 2 sobre minha primeira experiência voluntariando numa fazenda de flores através do WWOOF Australia. Na primeira parte fiz um vídeo contando mais detalhes sobre a plataforma e como foi a minha experiência. Nele eu falo sobre o que acho importante perguntar aos anfitriões e também dou algumas dicas. Na segunda parte mostro a fazenda, a coleta & processo do mel, um pouquinho das feiras e da cidade 🙂

Para ver a parte 1 clique aqui!

*Para informações completas e atualizadas visite o site: WWOOF Australia

Vista da janela do trem

Vista da janela do trem

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No meu segundo dia de trabalho plantei sementes de espinafre em um canteiro. Aqui são eles depois de nove dias

Espinafre que eu plantei :D

Espinafre que eu plantei 😀

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E aqui, depois de quatorze dias!

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Coleta do mel

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Essa foi minha primeira vez com essa plataforma e com toda certeza muitas mais virão. Eu amei cada segundo, cada detalhe dessa experiência e recomendo altamente que todos façam isso ao menos uma vez na vida! 🙂

Obrigada pela visita pessoal 😀

M.

WWOOF, Voluntariando em uma fazenda de flores PARTE 1

Oi gente!

No post de hoje vou contar como foi minha primeira experiência voluntariando numa fazenda de flores através do WWOOF Australia. A sigla significa World Wide Opportunities on Organic Farms ou Willing Workers on Organic Farms. Basicamente, é um site que serve como ponte entre fazendeiros e voluntários. É uma rede mundial, apesar de cada país ter seu próprio site e cadastro. Como voluntário você trabalha aproximadamente 4-6 horas por dia e em troca recebe acomodação e alimentação. Essa é uma ótima maneira de conhecer lugares novos e principalmente de conhecer a cultura local. Para usar o site é preciso fazer um cadastro e pagar uma anuidade (na Austrália são $70) e então você pode começar a procurar as fazendas que te interessam, anunciar/ver anúncios nos fóruns e contatar os anfitriões.

Essa foi minha primeira vez com essa plataforma e com toda certeza muitas mais virão. Eu amei cada segundo, cada detalhe dessa experiência e recomendo altamente que todos façam isso ao menos uma vez na vida! 🙂

Fiz um vídeo contando mais detalhes e mostrando a fazenda que fiquei, mas ele ficou muito longo então dividi em duas partes. Nessa primeira parte tem uma introdução sobre como foi a minha experiência e uma visão geral sobre a plataforma. Nele eu falo sobre o que acho importante perguntar aos anfitriões e também dou algumas dicas. A segunda parte mostrando a fazenda, fica pro próximo post 😀

*Para informações completas e atualizadas visite o site: WWOOF Australia

Já que o vídeo foi longo o texto vai ser curtinho hehe.

Para ver a parte 2 clique aqui!

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Obrigada pela visita pessoal 😀

M.

    

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